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Colcha de retalhos

Alguma coisa acontece em mim quando ele passa, e todas as vezes que ele chega algo em mim parece morrer. É, é dor de morte. Sinto como se me despedaçasse e no despedaçar vou me construindo.
Pode ser culpa dele, talvez até seja porque sinto que cada pedaço meu perdido no ar é substituído por pedaços dele, e ele me completa e parece que foi feito como tal para mim.
Quem sabe seja isso, de se perder e só se sentir completa quando outro corpo te habita, quem sabe isso... Essa apropriação "almática", seja o tal do amor. De verdade eu não sei, talvez seja. Eu só sei que quero me despedaçar toda vez que o encontrar e quem sabe um dia desses, numa noite fria qualquer, a gente acabe se aquecendo na colcha de retalhos em que vou ter me transformado. 

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Então, tem essa vela, podemos chamar de vela não podemos? Ta, então, tem essa vela e ela ta acesa, então tem essa chama também junto com a vela e a chama é a vela... É sobre a chama que eu quero falar entende? Olha, não liga muito pra simbologia, só tente me entender, eu preciso te dizer isso. Tem uma vela, e tem a chama e elas são a mesma coisa, e então vem o sopro, vem o vento sabe? Ta me entendendo? Você consegue imaginar? Sim, imaginar, fecha os olhos vai, só escuta o que eu to tentando falar e imagina as coisas que você ta escutando. É imagina, por favor, eu preciso falar porque é importante que você saiba o que eu penso. Ok. Isso, olhos fechados, la vai. Tem a vela acesa, queimando e deixando a borra escorregar nas laterais como se tivesse transbordando. Isso, exatamente, como se tivesse chegado ao limite, mas agora fica quietinho por que eu odeio ser interrompida. A vela chegou ao limite e então ela esta transbordando, se esvaindo em borras e a borra vai se espalhando pelo chão ...
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