É natural demais, quase como os processos biológicos do meu
corpo. Sinto-os até em sua viagem pelas veias e artérias, sendo levados a todos
os recantos do corpo e depois se esvaindo pelas pontas dos dedos em direção ao
universo. É pra equilibrar. Primeiro me lava, e depois leva outro alguém a
conhecer o mesmo processo. E não poderia ser diferente, não seria correto
manter só pra mim quando ele aquece e brilha tão sozinho como o sol, tão
próximo quanto o vento mais suave, tão forte quanto o balanço do mar em dias de
tempestade. Tão natural como o bater de asas de uma borboleta que altera em
segundos toda e qualquer coisa que poderia existir, ou que viesse a ser.
Não quero que ouças minhas músicas, elas me pertencem. Saber que tu as ouve é o mesmo que sentir que ainda não me deixou pra trás. Não posso aceitar que algo que é meu, que em mim virou segunda pele, seja profanado pelos teus ouvidos e pela tua boca, mesmo que essa boca já tenha conhecido a primeira pele. Mas a segunda não, essa é só minha, ninguém conheceu e eu não tenho vontade de lhe mostrar. Não posso aceitar que me deixes ir embora, mas faça questão de ter um pedaço meu. Então dá cá minhas coisas, esquece as músicas que lhe mostrei, e deixa a pele crescer e aquecer o que você deixou.