Coração, parece que aprendi a te amar agora que a distância é concreta. A certeza disso me deixa insustentavelmente leve. Caminhando na linha tênue entre a tristeza do quase "tarde demais" e o "que bom que descobri". Que bom que eu descobri como amar você. E eu fiz isso por mim, não leve a mal. Foi como entrar no mar pela primeira vez. Foi como ouvir Nina cantando "Feeling Good" pela primeira vez e entender que a vida é mesmo cíclica. Foi descobrir que a gente muda sim! E eu me sinto bem. Não te peço nada só que me deixe ser uma boa lembrança.
Não quero que ouças minhas músicas, elas me pertencem. Saber que tu as ouve é o mesmo que sentir que ainda não me deixou pra trás. Não posso aceitar que algo que é meu, que em mim virou segunda pele, seja profanado pelos teus ouvidos e pela tua boca, mesmo que essa boca já tenha conhecido a primeira pele. Mas a segunda não, essa é só minha, ninguém conheceu e eu não tenho vontade de lhe mostrar. Não posso aceitar que me deixes ir embora, mas faça questão de ter um pedaço meu. Então dá cá minhas coisas, esquece as músicas que lhe mostrei, e deixa a pele crescer e aquecer o que você deixou.