Coração, parece que aprendi a te amar agora que a distância é concreta. A certeza disso me deixa insustentavelmente leve. Caminhando na linha tênue entre a tristeza do quase "tarde demais" e o "que bom que descobri". Que bom que eu descobri como amar você. E eu fiz isso por mim, não leve a mal. Foi como entrar no mar pela primeira vez. Foi como ouvir Nina cantando "Feeling Good" pela primeira vez e entender que a vida é mesmo cíclica. Foi descobrir que a gente muda sim! E eu me sinto bem. Não te peço nada só que me deixe ser uma boa lembrança.
Você é uma poesia preste a ser parida. Prestes a ser engolida como a saliva de quem tem a boca seca, como a parada cardíaca de quem não cometeu excessos. Você é a personificação da licença poética, a calma de observar os pássaros que comem goiaba, o eco de uma mãe que soluça o nascimento do primeiro filho, a lágrima da adolescente que recebeu sua primeira carta de amor, o gemido de uma mulher quando goza. Você é o abraço de irmãos que não se vêem há anos, o colo de avó que acaricia a neta, o fim de tarde ouvindo o conselho dos nossos mais velhos. O primeiro bolo que não sola. Você é o sorriso da primeira composição de uma artista, o grito da menina de quatro anos que faz um gol, o suspense do homem que sabe ser inocente, a satisfação de quem aprendeu a nadar. Você é os primeiros passos do bebê, o sim do casamento, o olhar de cumplicidade entre melhores amigas. A risada da criança tomando banho de chuva. Você é o canudo do diploma da formatura, é a sensação do açúcar descendo pela lí...