Porque que você não sai da minha cabeça? Eu to cansada de você aqui, me olhando, me analisando, esperando uma mudança minha. Estou cansada de pensar no que poderia ter sido, no que não foi. Eu não te quero aqui. Sua presença atesta minha falta de tato, o raso das minhas relações, o gelo que parece nunca derreter. Lembrar você é me ouvir dizer a mim mesma que nunca vou mudar. Que nunca vou baixar a guarda, que não se supera algo que não te arrebatou porque nada me arrebata, porque precisa ter vida pra sentir. Espero o estado de fusão que ainda não chegou. Espero. Mas tudo que se aquece, encontra passagem aberta pro frio de novo. A confiança é a única que passa despercebida pela sublimação.
Não quero que ouças minhas músicas, elas me pertencem. Saber que tu as ouve é o mesmo que sentir que ainda não me deixou pra trás. Não posso aceitar que algo que é meu, que em mim virou segunda pele, seja profanado pelos teus ouvidos e pela tua boca, mesmo que essa boca já tenha conhecido a primeira pele. Mas a segunda não, essa é só minha, ninguém conheceu e eu não tenho vontade de lhe mostrar. Não posso aceitar que me deixes ir embora, mas faça questão de ter um pedaço meu. Então dá cá minhas coisas, esquece as músicas que lhe mostrei, e deixa a pele crescer e aquecer o que você deixou.