Perdi as contas de quantas vezes eu abri a nossa conversa pra ver se tinha coragem de enviar alguma mensagem. A minha torcida para que você estivesse escrevendo algo era maior que a torcida do Brasil em época de mundial feminino e masculino. Tem emoção demais nesse processo. Mas seu online não durava muito tempo. Você sumiu. Eu sinto saudades. Mas não vou te procurar. Respeitar seu tempo é isso, não é? Depois de tudo que te falei, de todos os pratos que pus na mesa, não pode ser eu a ir até você, porque foi você quem se sentiu pressionada. Então eu me afasto, e fico no escuro. Sem saber se em alguma hora você vai chegar, se vai fazer questão de mim. É horrível se ver nessa situação, de quem se apaixonou novamente quando nem achava que tava pronta pra isso. Mas tem uma beleza também, porque me mostra que alguns processos anteriores já foram esquecidos, algumas dores já foram curadas e eu estou pronta pra outra. Queria que a outra fosse você e lembro de quando você disse que esperava que a gente desse certo. Até uma semana atrás a gente dava. Deu tão certo que eu quis mais, eu quis mergulhar de cabeça nessa descoberta que era você, eu quis explorar esse jardim que ficou trancado durante tanto tempo. Eu queria sentir e extravasar de mim tudo aquilo que eu sentia porque eu sempre fui comedida com os outros, sempre cortando os laços do afeto e não me deixava ir nem deixava ninguém chegar. Agora entendo o que queriam dizer quando me jogavam na cara que eu media tudo pra menos, eu trilhava o caminho da falta e achava que aquilo era amor pleno. Talvez até fosse um pouco de amor, sabe? Na verdade eu não duvido que tenha sido. Era o amor que eu tinha pra dar e que eu achava que merecia receber. Hoje não. Hoje a gente levanta da mesa quando perceber que o amor servido não nos contempla mais. Amor pouco, meu coração primeiro. Vou me dando tempo, acalmando as batidas que saltam quando vejo que não foi dessa vez, que não é você. Vou escutando meu corpo e minha mente, trabalhando o que precisa ser trabalhado pra que os próximos processos sejam ainda melhores. Eu também queria que a gente continuasse dando certo, mas que bom que deu certo até o ponto que a gente chegou.
Não quero que ouças minhas músicas, elas me pertencem. Saber que tu as ouve é o mesmo que sentir que ainda não me deixou pra trás. Não posso aceitar que algo que é meu, que em mim virou segunda pele, seja profanado pelos teus ouvidos e pela tua boca, mesmo que essa boca já tenha conhecido a primeira pele. Mas a segunda não, essa é só minha, ninguém conheceu e eu não tenho vontade de lhe mostrar. Não posso aceitar que me deixes ir embora, mas faça questão de ter um pedaço meu. Então dá cá minhas coisas, esquece as músicas que lhe mostrei, e deixa a pele crescer e aquecer o que você deixou.