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Útero de nós mesmas

Nós vamos parir a revolução.
Nós vamos parir a revolução.
A nós coube a potência do gestar e estamos gestando a caída do muro, a construção da ponte, as cordas que nos puxarão para cima.
Nós vamos parir um novo dia em que nosso parir não seja doloroso, não seja resposta de pecado, nem culpa pela dor do mundo.
A gente tá parindo.
Todo dia um filete de água burla a barreira das nossas calcinhas, desce e refresca nossas pernas e escorre em contato com a terra. Todo dia a água sai e se junta num grande rio. Estamos parindo a revolução de um dia que se constrói a partir da soma das nossas águas. Que encontra jeito e abre passagem entre as margens que oprimem.
Estamos parindo e o nosso corpo é pura ebulição. Estamos nos transformando em vapor e condensadas na lâmina fria do machado afiado, vamos descer igual tempestade e fazer reviver os rios secos.
Somos útero de nós mesmas e vamos parir a revolução.

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