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Sra.

      Tivemos uma briga feia, ela até saiu de casa, disse que nunca mais voltaria e que eu não tivesse a cara de pau de lhe procurar.
      Começou assim, ela vivia se queixado de que eu a abandonava frenquentemente, passava dias sem telefonar, sem dar o ar de minha graça em sua presença. Dizia que eu só corria atrás um pouquinho quando estava seriamente necessitado e ela só me deixava entrar por que tinha pena. Dizia que eu não seria nada sem ela, e juro por Deus, eu realmente não sou...

       Então ela partiu, disse que nunca mais me deixaria repousar em seu colo, nunca mais me ouviria. Partiu e deixou-me no escuro, uma vez conhecedor da luz ofuscante que acendia todas as luzes dentro de mim, o escuro é um tormento.
      Ela disse que dia menos dia eu iria procurá-la, clamaria por sua presença outra vez. Eu? Eu bati o pé, disse que não, se ela queria ir embora, que fosse, sou auto-suficiente o bastante pra saber me cuidar, não preciso mais dela, posso caminhar sozinho, não posso? Posso, e por isso caminhei, mas o caminho é longo e muito árduo, sem ela é difícil.
     Então tomei a decisão que todo homem macho deveria tomar algum dia, eu tomei atitude. É eu sei, ela disse que não queria mais me ver, disse que eu não prestava, que só a procurava quando tinha necessidade, sei de tudo isso e reconheço, fiz sim, não garanto que não farei de novo.  Mas  a procurei novamente, bati na porta e passei um bilhete por debaixo da mesma.
      “ Senhora imaginação, por favor, volte pra mim. Eu realmente não sou nada sem você.
        Atenciosamente,
        Sr Cérebro, Coração, ou qualquer outro nome que a Sra. quiser me dar.”

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