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Homo in-sapiens

      Depois de mais uma crise, cheguei a uma conclusão: você verdadeiramente se conhece nos momentos de desespero. Então, tudo que eu pensava saber sobre mim foi repensado depois de várias crises (emocionais, existências, psíquicas, financeiras e afins) e acabo por descobrir que “nada sei do que sei” como dizia Sócrates.
    Se me questionassem sobre minha personalidade eu diria, em minha inocência, saber tudo sobre mim mesma. Eu diria que sou uma pessoa altruísta, corajosa, amável, educada e várias outras qualidades que me viessem à cabeça, e por ser sincera eu diria que como todo ser humano normal, tenho meus defeitos – por vezes idiota, fria, insensível, contraditória, sincera demais (o que para uns é defeito). Muito embora eu citasse alguns apenas, deixando os mais tenebrosos embaixo do pano.
   Acontece que durante uma crise o Homo bios prevalece sobre o Homo sapiens e como diria Forfun, “o homem se diz sábio mas o que mais lhe parece faltar é a sapiência”, ilustrando aquilo que acontece na crise, quando suas reações biológicas e o seu instinto de proteção entram em cena e apertam os arreios. É a chamada hora “cada um por si”.
     Eu, Homo bios, descobri que sou capaz de jurar ódio eterno a pessoa mais querida da minha vida, posso virar a pessoa mais egoísta e mesquinha da face da terra, ser rude com o primeiro Homo sapiens que aparecer em minha frente, tudo por um pedaço de carne, ou roupa, dinheiro e o meu preferido, um livro.
     Por vezes é necessário a intervenção do nosso lado “eu verdadeiro”, principalmente nos casos mais graves de abandono próprio, e isso não significa os raros dias em que tudo vai mal, o cabelo, a unha, o namoro e etc. Eu falo de quando você percebe que tudo sempre esta mal, quando você não enxerga o colorido e a beleza da vida.
     Por isso, quando o mundo estiver cinza e sem graça pra você, desejo que leve um tapa na cara, que o seu instinto animal de sobrevivência prevaleça e te faça enxergar a primavera tão esperada. Porque todo mundo deveria experimentar ser Homo bios um dia, e então voltar à sapiência, à paciência e jamais à inércia.

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