Eu descobri um anjo, e ela tem sexo, é
feminino, é feminina, é mulher. Uma mulher guerreira que não titubeia e nem
pensa em parar nas esquinas da vida. Não, ela não. Ela segue em frente, vai
adiante e é humilde o bastante pra olhar pra trás. Ela é sensível, ela chora,
ela ri, se descontrola. Ela é Mulher. Dessas com eme maiúsculo e com o salto
maior que o próprio umbigo. Ela ama, se encanta, se apega e não desapega. Se
entrega em tudo e à todos de modo único, ela nunca será igual pra mim, ou pra
você. Ela se preserva, ela se ama. E eu amo isso nela.
Não quero que ouças minhas músicas, elas me pertencem. Saber que tu as ouve é o mesmo que sentir que ainda não me deixou pra trás. Não posso aceitar que algo que é meu, que em mim virou segunda pele, seja profanado pelos teus ouvidos e pela tua boca, mesmo que essa boca já tenha conhecido a primeira pele. Mas a segunda não, essa é só minha, ninguém conheceu e eu não tenho vontade de lhe mostrar. Não posso aceitar que me deixes ir embora, mas faça questão de ter um pedaço meu. Então dá cá minhas coisas, esquece as músicas que lhe mostrei, e deixa a pele crescer e aquecer o que você deixou.