Eu descobri um anjo, e ela tem sexo, é
feminino, é feminina, é mulher. Uma mulher guerreira que não titubeia e nem
pensa em parar nas esquinas da vida. Não, ela não. Ela segue em frente, vai
adiante e é humilde o bastante pra olhar pra trás. Ela é sensível, ela chora,
ela ri, se descontrola. Ela é Mulher. Dessas com eme maiúsculo e com o salto
maior que o próprio umbigo. Ela ama, se encanta, se apega e não desapega. Se
entrega em tudo e à todos de modo único, ela nunca será igual pra mim, ou pra
você. Ela se preserva, ela se ama. E eu amo isso nela.
Você é uma poesia preste a ser parida. Prestes a ser engolida como a saliva de quem tem a boca seca, como a parada cardíaca de quem não cometeu excessos. Você é a personificação da licença poética, a calma de observar os pássaros que comem goiaba, o eco de uma mãe que soluça o nascimento do primeiro filho, a lágrima da adolescente que recebeu sua primeira carta de amor, o gemido de uma mulher quando goza. Você é o abraço de irmãos que não se vêem há anos, o colo de avó que acaricia a neta, o fim de tarde ouvindo o conselho dos nossos mais velhos. O primeiro bolo que não sola. Você é o sorriso da primeira composição de uma artista, o grito da menina de quatro anos que faz um gol, o suspense do homem que sabe ser inocente, a satisfação de quem aprendeu a nadar. Você é os primeiros passos do bebê, o sim do casamento, o olhar de cumplicidade entre melhores amigas. A risada da criança tomando banho de chuva. Você é o canudo do diploma da formatura, é a sensação do açúcar descendo pela lí...