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Olhando o filme - O céu de Suely (2006)


O céu de Suely - Imagem Google

"- Eu fiquei grávida num domingo de manhã. Tinha um coberto azul de lã escura. Mateus me pegou pelo braço e disse que ia me fazer a pessoa mais feliz do mundo... Me deu um cd gravado com todas as músicas que eu mais gostava... Ele disse que queria casar comigo, ou então morrer afogado.”


Hermila tem 21 anos e um filho de colo. Morava em São Paulo há dois anos com o namorado (Mateus), mas voltou a Iguatu, interior do Ceará, para tentar levar uma vida mais fácil junto à família. Enquanto Mateus não chega, Hermila rifa uma garrafa de uísque e guarda o dinheiro para dar inicio ao negocio próprio que vai abrir com o namorado. Mas Mateus não vem e nem manda noticias, sumindo em São Paulo.
A protagonista aceita o abandono e transita em meio à tristeza e a certeza de que não se acostumará novamente naquela cidade pequena. O convívio com a amiga prostituta faz com que tenha a ideia de rifar “uma noite no paraíso” a fim de juntar dinheiro suficiente e comprar a passagem para Porto Alegre. Hermila vira Suely, e seu nome de guerra passa a lhe dar coragem de rifar seu próprio corpo.
A ideia dá certo e a rifa ganha fama, mas o céu de Hermila que antes era azul ensolarado, desaba. Sofre reprimendas da avó e dos vizinhos e vai morar com a amiga prostituta. Um ponto importante ocorre quando Hermila, ao ser confrontada pela tia lésbica (Maria) o porquê de se tonar prostituta, responde que “não serei puta, por que puta dá pra todo os homens enquanto eu vou ser de um homem só.” A visão de que rifando-se e entregando-se a um ganhador só é o que conforta e impulsiona a personagem a seguir em frente e interpretar o papel de Suely, o que na verdade, ela não consegue, pois fica nítido que ao se ver nos braços do ganhador, Suely desmorona e não consegue ser tão desinibida como prometera e não vai ao céu.
Outro ponto que me chamou muito mais atenção no filme, foi a cena em que ao levar o filho para conhecer a avó paterna, Hermila descobre que Mateus (o namorado do cobertor azul) comunica-se e manda dinheiro para a mãe. Ao confrontar a sogra sobre a justiça de criar um filho sozinha, ouve da mesma que entenda, pois seu filho, Mateus, tem apenas 20 anos.  O machismo contido na fala da sogra deixa transparente que Hermila não é jovem o suficiente pra cuidar de um filho aos 21, mas o homem “precisa viver” e é jovem demais para assumir tal responsabilidade.
Ao final do filme, Hermila consegue o dinheiro e abandona a cidade, deixando o filho com a avó (a pedido da mesma, pois sua intenção era levar a criança consigo). Percebe-se então que em meio aos contratempos da vida, a personagem permanece forte e vai embora debaixo de um céu azul e completamente ensolarado.

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