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Pedaço por pedaço.

Teu olhar me dilata a alma,
já não sei se ando ou corro,
sinto como se cada pedaço de mim voasse cada vez mais longe,
e a cada quilometro todo o corpo se aquece,
é um eterno esvanecer
pra ressurgir infinitamente maior e mais bela,
em algum lugar que eu ainda não conheço,
mas cada dia que passa me encontro cada vez mais nele,
e se você me pergunta o estado
posso dizer com certeza: é quente.
é confortável. É seguro. É esplendido.
encontro-me quase que inteira dentro dele e
sinto que faltam poucos pedaços,
aqueles mais céticos, cheios de artimanhas.
o coração? Bem, esse é um deles,
deixou-se ser levado em pedaços,
mas a cada dia que passa entrega-se mais,
e mais, e mais a cada hora do dia
a cada minuto do telefone.
a cada segundo entre um olhar e outro,
ah, mas esses já tinham se entregado ha muito tempo,
foram os primeiros, os olhos
ficaram presos na redoma de vidro que abraçam os olhos dele
e quando ficam livres, ah, é demais para os meus
perderam-se no início, entregaram-se sem medo e
abriram o próprio coração, e foi o primeiro pedaço de artéria que recebeu.
E depois dos olhos, as mãos ansiaram pelo contato,
pele com pele, corpo com corpo,
e explodiu, BUM!
e lá se foi a minha pele, queimando por contato físico,
entregou-se no mesmo instante que tiveram as mãos dele tocando meu rosto.
Depois dela foi-se os lábios, língua e dentes.
Nariz e Ouvido foram logo depois,
e assim todos os meus sentidos vitais pertenciam a ele
e agora, por minha própria vontade ele me rouba o coração,
pedaço por pedaço.
E no início nós nem falávamos de amor.

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