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Bom dia ao acordar.

Acordei cedo pra te ver dormir. Você gemeu a noite toda, resmungando em algum sonho seu. Fiquei pensando que louco seria acordar com você sempre que eu quisesse.
Como se você fosse meu brinquedo de pelúcia, te coloquei no colo para carregar, estar disponível sempre.
Você se mexeu, trocou de lado e respirou fundo. Me preparei para abrir meu melhor sorriso ao te dar bom dia. Você só se mexe.
Levanto, faço um café. Sujo mais louça do que o necessário pra fazer um café, e penso com um prazer até masoquista, que mais tarde, sou eu que vou sofrer pra limpar essa bagunça: essa que ta crescendo aqui dentro, e a que se acumula sobre a pia.


Pego sua caneca vermelha, abro a janela e o céu laranja me sauda, arrepiando a pele com o frio característico da manhã. As vezes olho o vão da porta que deixei aberta e penso em você, enrolado, a poucos minutos de acordar, por que você tem o timing perfeito.
Essa sensação de rotina me acalma, e é tão gostoso pensar em como você chegou sem querer, mas meio que forçando sua presença em minha vida. Não de um jeito ruim, brusco. Mas de uma forma tão sua, tão leonina, que eu não tive outra saída a não ser aceitar de bom grado essa sua chegada.
A vizinhança já começa a acordar. Alguns carros já passeiam na rua, alguns cachorros ladram longe. Penso que de todas as coisas que eu gostaria de te contar, talvez a mais forte delas é que você me faz perder o medo. Até já lhe falei, no início de tudo, o quão medrosa me tornei. Nem pareço ariana, e coitado de Marte, deve ter vergonha dessa filha.
Bebo café, mas o frio persiste. Percebo que já caminhamos para o segundo mês juntos. Estamos ficando, ficando juntos, trazendo a saudade pra frente da serra, alimentando-a a cada dia com mais risadas, com cada choque recebido no chuveiro.
Você acorda e me olha da porta do quarto. O Bom Dia! sai sem ensaio, e com o sorriso de sempre. Se aproxima, e senta comigo no sofá. Vamos ver o sol raiar juntos, com você deitado em meu colo e eu acarinhando suas costas.
Me pergunta o que vamos fazer mais tarde pro desjejum, e eu lhe mostro a caneca com café.
- Divide comigo?

E é tudo que eu quero fazer pra me manter aquecida.

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