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Bem vindo! Preciso te alertar que

Eu sou do estrago. Gosto da coisa sofrível, platônica até. A calmaria de uma vida tranquila me põe a tremer. Acho até que é reação divina a me dizer que eu não nasci pra ficar quieta. Não nasci com a delicadeza angelical da paciência. Paciência? É de comer? 
Tranquilidade me dá agonia. Agonia de movimento, de não esperar para dar o próximo passo.
Eu pago pra ver, que sem no mínimo uma desordem no dia, eu não fico. 
Eu aposto que levanto o vento e faço a poeira correr. Movimento.
Um dia tranquilo, é um dia perdido.

Quero perturbar. Correr o mundo.
Não sou dos lugares estéreis e nem das matas virgens. Embora digam que Ewá me acompanha, me vejo no meio do fogo e da tempestade. Dos rios que correm e trazem vida, mas que também podem destruir. Eu sou do mar. E é doce ser do mar.
O ser e o não ser, que se negando, é. 
Comigo, esqueça aquela velha esperança de que tudo vai se acalmar. 
Prazer, Eu.

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Distúrbio de ritmo

Não quero que ouças minhas músicas, elas me pertencem. Saber que tu as ouve é o mesmo que sentir que ainda não me deixou pra trás. Não posso aceitar que algo que é meu, que em mim virou segunda pele, seja profanado pelos teus ouvidos e pela tua boca, mesmo que essa boca já tenha conhecido a primeira pele. Mas a segunda não, essa é só minha, ninguém conheceu e eu não tenho vontade de lhe mostrar. Não posso aceitar que me deixes ir embora, mas faça questão de ter um pedaço meu. Então dá cá minhas coisas, esquece as músicas que lhe mostrei, e deixa a pele crescer e aquecer o que você deixou.

Oxum é amor, Oxóssi é firmeza.

Os pássaros cantavam quando caminhei pelo entorno de Oxum. Sua melodia compôs a música que embalava meus passos. O vento, com sua leveza, coparticipou do soneto e misturou-se aos arranjos de vida que tocaram minha pele. Balançou levemente e persistentemente a estrutura óssea, pélvica, nervosa, capilar e emocional dentro de mim, tal qual o balanço das árvores verdes que crescem na beira do rio. O encontro de Oxóssi e Oxum me toca profundamente e desperta em mim a sensação de agradecimento pela vida, pelo ar que eu respiro, por ser quem eu sou. Meus olhos não se afastam do rio e nem do verde. Meus olhos contemplam a beleza dos pássaros que se banham e se relacionam nas águas deste rio. Eu vou seguindo e deixando o som da correnteza embalar minha respiração. Que eu seja a correnteza que passa e lava todo pensamento de desamor e toda forma de autossabotagem, porque Oxum é amor. Que eu seja como as árvores frondosas da mata, que balançam e permanecem de pé, enraizadas, porque Oxóssi é firme...

VIVA-SE