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Oi, você tem fogo?

De cara te achei estranho. Que moço sem jeito, que timidez.
Pensei logo que era mais um que não modificaria nada, nem ia levantar a poeira. Sentei, para quê que eu ia preparar a casa? Ai você se aproximou, pediu licença pra entrar e se acomodou. Inicialmente reservado, de poucas palavras, mas olhares intensos. Agora sei que você me olha e me enxerga, mas quem te vê assim, só observando, acredita que você é mais um menino bobo, daqueles que cria histórias na cabeça e se perde nelas.
Deixei pra lá, não quis dar bola e nem confiança, é que sou muito fechada para conhecer gente nova. Mas você não deixou passar, sentou do meu lado, e “Oi, você tem fogo?”.
Nos poucos segundo antes de lhe dar a resposta, passei a prestar mais atenção em quem sentou pertinho de mim. Na sua voz grossa, e no perfume amadeirado que vinha do seu lado, e nos desenhos que havia no antebraço. Você tem cheiro de roupa limpa, e dias ensolarados.
As pintinhas que trilham do pescoço para o peitoral me deixam curiosa, e me pergunto se alguns desses sinais seriam cravos (intactos, esperando alguém para retira-los). Sua barba por fazer lhe dá um ar de homem feito e eu já nem conseguia lembrar-me do cara bobão pra quem não dei bola.
Imaginava agora qual seria a sensação da sua barba arranhando minhas costas e o meu rosto. E as minhas mãos tremeram para lhe despentear, passar todos os dedos entre os fios grossos, ora por carinho, cafuné, ora por desejo.

Não me pergunte o porquê, algumas coisas apenas o são. Eduardo e Mônica, quem sabe?
Quando reparei em você, te olhei para conseguir enxergar, tive vontade de ser o cigarro que esta entre seus dedos, e deixar você brincar com sua boca por todo o meu corpo. Sem filtros.
E quando lhe respondo, já tenho em mente bagunçar sua vida. Mesmo que breve, intenso. Nada sutil, seria um vulcão.
“Tenho sim, toma!”
E agora somos fogo por todo lado. Bem vindo Estranho!

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