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Meu companheiro

Vem ser o meu horário de voltar pra casa, minha vontade de cozinhar, o que me faz parar em um dia movimentado só pra comprar algo que me fez lembrar você. Fica aqui.
Vem ser meu abrigo, meu trem de pouso, meu descanso depois de achar que nada é pra mim. 
Vem ser meus dois filhos, meu menino, meu amante, meus gatos e cachorros, minha preocupação.
Vem ser meu abraço, meu aconchego, minha casinha branca no meio do mato e o rio que lava tudo que foi.
Vem ser a companhia de um filme que dá sono, de uma música que relaxa, de um curso que eu nem queira tanto fazer. Meu cotidiano, minha semana, meu mês.
Vem ser o que me faz acordar disposta e dormir cansada, quem me levanta com café pronto no sábado de manhã, e me deita com vinho seco no domingo à noite. 
Meu parceiro, irmão, camarada.
Meu companheiro.


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Distúrbio de ritmo

Não quero que ouças minhas músicas, elas me pertencem. Saber que tu as ouve é o mesmo que sentir que ainda não me deixou pra trás. Não posso aceitar que algo que é meu, que em mim virou segunda pele, seja profanado pelos teus ouvidos e pela tua boca, mesmo que essa boca já tenha conhecido a primeira pele. Mas a segunda não, essa é só minha, ninguém conheceu e eu não tenho vontade de lhe mostrar. Não posso aceitar que me deixes ir embora, mas faça questão de ter um pedaço meu. Então dá cá minhas coisas, esquece as músicas que lhe mostrei, e deixa a pele crescer e aquecer o que você deixou.

Oxum é amor, Oxóssi é firmeza.

Os pássaros cantavam quando caminhei pelo entorno de Oxum. Sua melodia compôs a música que embalava meus passos. O vento, com sua leveza, coparticipou do soneto e misturou-se aos arranjos de vida que tocaram minha pele. Balançou levemente e persistentemente a estrutura óssea, pélvica, nervosa, capilar e emocional dentro de mim, tal qual o balanço das árvores verdes que crescem na beira do rio. O encontro de Oxóssi e Oxum me toca profundamente e desperta em mim a sensação de agradecimento pela vida, pelo ar que eu respiro, por ser quem eu sou. Meus olhos não se afastam do rio e nem do verde. Meus olhos contemplam a beleza dos pássaros que se banham e se relacionam nas águas deste rio. Eu vou seguindo e deixando o som da correnteza embalar minha respiração. Que eu seja a correnteza que passa e lava todo pensamento de desamor e toda forma de autossabotagem, porque Oxum é amor. Que eu seja como as árvores frondosas da mata, que balançam e permanecem de pé, enraizadas, porque Oxóssi é firme...

VIVA-SE