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Intimidade

Esse mundo tá muito louco. A gente fica com vontade e perde chances incríveis por conta do medo. Mas sempre que alguém pergunta, somos as primeiras a incentivar: "você deve insistir!". Mas a gente desisti. Queremos as coisas fáceis. Aceitamos a superficialidade. A gente tem medo de ter que mostrar o que tem lá no fundo. As vezes ate penso que é preguiça, de se mostrar e de descobrir. E ai o raso fica mais interessante. Posso ser qualquer coisa que eu queira mostrar para a superficialidade. Podemos ser açucarados, podemos ser atenciosas, podemos segurar forte e ate dizer que amamos. Mas não seremos doce, não seremos afetivos, não vamos abraçar e sentir que o corpo se perde no corpo do outro. É compreensível que tenhamos medo de profundidade. Ela requer compromisso, para além do nosso egoísmo. Requer cuidado, vontade e principalmente a coragem de ser íntimo e de se deixar ser íntimo. Ninguém mergulha de cara em águas desconhecidas, então intimidade requer paciência. E coragem. Intimidade, esse mundo precisa de intimidade. 

E eu, de parar de beber Xingu.

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Distúrbio de ritmo

Não quero que ouças minhas músicas, elas me pertencem. Saber que tu as ouve é o mesmo que sentir que ainda não me deixou pra trás. Não posso aceitar que algo que é meu, que em mim virou segunda pele, seja profanado pelos teus ouvidos e pela tua boca, mesmo que essa boca já tenha conhecido a primeira pele. Mas a segunda não, essa é só minha, ninguém conheceu e eu não tenho vontade de lhe mostrar. Não posso aceitar que me deixes ir embora, mas faça questão de ter um pedaço meu. Então dá cá minhas coisas, esquece as músicas que lhe mostrei, e deixa a pele crescer e aquecer o que você deixou.

Oxum é amor, Oxóssi é firmeza.

Os pássaros cantavam quando caminhei pelo entorno de Oxum. Sua melodia compôs a música que embalava meus passos. O vento, com sua leveza, coparticipou do soneto e misturou-se aos arranjos de vida que tocaram minha pele. Balançou levemente e persistentemente a estrutura óssea, pélvica, nervosa, capilar e emocional dentro de mim, tal qual o balanço das árvores verdes que crescem na beira do rio. O encontro de Oxóssi e Oxum me toca profundamente e desperta em mim a sensação de agradecimento pela vida, pelo ar que eu respiro, por ser quem eu sou. Meus olhos não se afastam do rio e nem do verde. Meus olhos contemplam a beleza dos pássaros que se banham e se relacionam nas águas deste rio. Eu vou seguindo e deixando o som da correnteza embalar minha respiração. Que eu seja a correnteza que passa e lava todo pensamento de desamor e toda forma de autossabotagem, porque Oxum é amor. Que eu seja como as árvores frondosas da mata, que balançam e permanecem de pé, enraizadas, porque Oxóssi é firme...

VIVA-SE