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Poesia Matinal

Minha poesia matinal é ver você acordar e me buscar para o teu abraço. São seus dreads cobertos de pucumã, e o cheiro da tua pele preta quente.
É o beijo dado no cantinho da orelha seguido do "bom dia minha preta!", é a eletricidade que passa da tua pele pra minha no atrito do lençol.
Meu poema de bom dia. Minha crônica da tarde, meu conto da noite. 
Poesia é tua voz dizendo saudade, alimentando meus sorrisos, e tua cara séria me dando ânimo pra encarar o que está por vir. Tua pele na minha é pura poesia!
As estrofes rimadas são o laço da minha perna na sua. É quando tomamos chuva andando de mãos dadas pela cidade que meu riso se faz mais contente. É quando o cheiro do café exala misturando teu halito e o meu. É a pimenta que faz arder a língua de ansiedade pelo beijo.
Minha poesia preferida somos nós, minha parede amarela e o nosso tempo, que é agora.

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Distúrbio de ritmo

Não quero que ouças minhas músicas, elas me pertencem. Saber que tu as ouve é o mesmo que sentir que ainda não me deixou pra trás. Não posso aceitar que algo que é meu, que em mim virou segunda pele, seja profanado pelos teus ouvidos e pela tua boca, mesmo que essa boca já tenha conhecido a primeira pele. Mas a segunda não, essa é só minha, ninguém conheceu e eu não tenho vontade de lhe mostrar. Não posso aceitar que me deixes ir embora, mas faça questão de ter um pedaço meu. Então dá cá minhas coisas, esquece as músicas que lhe mostrei, e deixa a pele crescer e aquecer o que você deixou.

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Os pássaros cantavam quando caminhei pelo entorno de Oxum. Sua melodia compôs a música que embalava meus passos. O vento, com sua leveza, coparticipou do soneto e misturou-se aos arranjos de vida que tocaram minha pele. Balançou levemente e persistentemente a estrutura óssea, pélvica, nervosa, capilar e emocional dentro de mim, tal qual o balanço das árvores verdes que crescem na beira do rio. O encontro de Oxóssi e Oxum me toca profundamente e desperta em mim a sensação de agradecimento pela vida, pelo ar que eu respiro, por ser quem eu sou. Meus olhos não se afastam do rio e nem do verde. Meus olhos contemplam a beleza dos pássaros que se banham e se relacionam nas águas deste rio. Eu vou seguindo e deixando o som da correnteza embalar minha respiração. Que eu seja a correnteza que passa e lava todo pensamento de desamor e toda forma de autossabotagem, porque Oxum é amor. Que eu seja como as árvores frondosas da mata, que balançam e permanecem de pé, enraizadas, porque Oxóssi é firme...

VIVA-SE