Quando eu fico extremamente triste eu desisto de mim. Eu penso
no que eu quero e tudo me parece impossível de conseguir. Eu não me vejo lá, no
distante, no futuro. Eu fico aqui, presa, revivendo diversas memórias sem de
fato me atentar pro percurso. A dureza da vida é saber entender. Faço o compromisso
comigo mesma de meditar e fazer yoga. De acordar cedo e cumprir as tarefas do
dia. Loto o mural de avisos e retiro tudo que possa me distrair. Não adianta. Viver
dentro da cabeça é isso: mercúrio em peixes.
Você é uma poesia preste a ser parida. Prestes a ser engolida como a saliva de quem tem a boca seca, como a parada cardíaca de quem não cometeu excessos. Você é a personificação da licença poética, a calma de observar os pássaros que comem goiaba, o eco de uma mãe que soluça o nascimento do primeiro filho, a lágrima da adolescente que recebeu sua primeira carta de amor, o gemido de uma mulher quando goza. Você é o abraço de irmãos que não se vêem há anos, o colo de avó que acaricia a neta, o fim de tarde ouvindo o conselho dos nossos mais velhos. O primeiro bolo que não sola. Você é o sorriso da primeira composição de uma artista, o grito da menina de quatro anos que faz um gol, o suspense do homem que sabe ser inocente, a satisfação de quem aprendeu a nadar. Você é os primeiros passos do bebê, o sim do casamento, o olhar de cumplicidade entre melhores amigas. A risada da criança tomando banho de chuva. Você é o canudo do diploma da formatura, é a sensação do açúcar descendo pela lí...