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#Mariellepresente

Não peço força a nenhuma de minhas irmãs hoje. Porque nos é negado o direito a dor desde que a gente nasce. Porque nos é negado o direito ao luto, por nós e pelos nossos. E a gente vai guardando tudo dentro da gente, acreditando que existe até mesmo uma vantagem nisso, que sufocar a dor e o choro vai engrossar as costas, vai nos fazer suportar mais. Mas todo copo cheio transborda. E a gente é bacia. A bacia que comumente vemos mulheres pretas carregando em cima da cabeça. Aquela bacia também somos nós e são as nossas dores. As que a gente carrega em nome da sobrevivência e ainda tem que andar de cabeça erguida porque não é a coroa que vai cair. 

Eu não desejo força, eu não quero força. Eu tô cansada de ser forte e de não conseguir ser frágil, de não deixar de acreditar piamente que conseguiremos resolver tudo sozinha, se amar sozinha, se curar sozinha, se ajeitar sozinha. Tô cansada de não poder chorar, por mim e pelas nossas. Os tiros em Marielle são sentidos no peito, rasgando e queimando. De dor. Porque a gente sente dor. Mesmo vocês não acreditando nisso. Mesmo a bacia em cima da cabeça. Hoje eu preciso derramar minha água. Me lavar com ela. Sentir a água em todos em poros do meu corpo preto, curar as dores. Mas não posso mais fazer isso sempre sozinha.

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Então, tem essa vela, podemos chamar de vela não podemos? Ta, então, tem essa vela e ela ta acesa, então tem essa chama também junto com a vela e a chama é a vela... É sobre a chama que eu quero falar entende? Olha, não liga muito pra simbologia, só tente me entender, eu preciso te dizer isso. Tem uma vela, e tem a chama e elas são a mesma coisa, e então vem o sopro, vem o vento sabe? Ta me entendendo? Você consegue imaginar? Sim, imaginar, fecha os olhos vai, só escuta o que eu to tentando falar e imagina as coisas que você ta escutando. É imagina, por favor, eu preciso falar porque é importante que você saiba o que eu penso. Ok. Isso, olhos fechados, la vai. Tem a vela acesa, queimando e deixando a borra escorregar nas laterais como se tivesse transbordando. Isso, exatamente, como se tivesse chegado ao limite, mas agora fica quietinho por que eu odeio ser interrompida. A vela chegou ao limite e então ela esta transbordando, se esvaindo em borras e a borra vai se espalhando pelo chão ...
Ser uma pessoa alegre é o pior castigo que a vida pode lhe dar. Pessoas alegres não tem o direito de expressar tristeza.