Você já leu caio Fernando Abreu? É interessante, ele escreve contos, em sua maioria. Você parece com ele… não fisicamente, talvez um pouco do estilo literário, a forma como escreve. Acho que eu tinha essa sensação quando ouvia você ler algo que fez, de pensar que já li algo parecido, algo semelhante. Você me faz lembrar Caio. CFA para os íntimos. Eu leio vocês e parece tão fácil, tão gostoso de sentir, tão cotidiano, dia a dia. No final acabo esperando uma reviravolta, uma lição moral ou uma frase de efeito, mas segue cotidiano. E aquela certeza de que eu não entendi tão bem assim o que o autor queria dizer.
Não quero que ouças minhas músicas, elas me pertencem. Saber que tu as ouve é o mesmo que sentir que ainda não me deixou pra trás. Não posso aceitar que algo que é meu, que em mim virou segunda pele, seja profanado pelos teus ouvidos e pela tua boca, mesmo que essa boca já tenha conhecido a primeira pele. Mas a segunda não, essa é só minha, ninguém conheceu e eu não tenho vontade de lhe mostrar. Não posso aceitar que me deixes ir embora, mas faça questão de ter um pedaço meu. Então dá cá minhas coisas, esquece as músicas que lhe mostrei, e deixa a pele crescer e aquecer o que você deixou.