Não consigo ser sua. Há muitas de mim pra eu conseguir ser inteira. Diversa, não consigo ser sua. Múltiplas vozes distantes gritando coisas diferentes. Não consigo ser sua e não posso ser de ninguém mais. O que eu trago comigo é tão grande e pesado que preciso de muitas de mim pra carregar. São bacias e bacias de água que teimam em não transbordar. Eu queria ser sua. Mas enquanto eu não for minha, inteira pra mim, não vou ser de ninguém.
Não quero que ouças minhas músicas, elas me pertencem. Saber que tu as ouve é o mesmo que sentir que ainda não me deixou pra trás. Não posso aceitar que algo que é meu, que em mim virou segunda pele, seja profanado pelos teus ouvidos e pela tua boca, mesmo que essa boca já tenha conhecido a primeira pele. Mas a segunda não, essa é só minha, ninguém conheceu e eu não tenho vontade de lhe mostrar. Não posso aceitar que me deixes ir embora, mas faça questão de ter um pedaço meu. Então dá cá minhas coisas, esquece as músicas que lhe mostrei, e deixa a pele crescer e aquecer o que você deixou.