Ainda não consegui dormir sem lembrar do seus olhos me rezando promessas. Não consegui dormir sem sentir o peso do se braço em minha cintura, sua mão me puxando mais pra perto, me levando pro teu sonho, embalando o meu. Não durmo. Não durmo, não. Não durmo enquanto não ouço sua respiração suave ou os roncos de cansaço. Não consigo dormir. Sua presença é real e sentida. Seu peso deixa uma marca no colchão no seu lado da cama. Seu lençol nunca mais foi usado. Não consigo dormir. Voltei a fumar.
Não quero que ouças minhas músicas, elas me pertencem. Saber que tu as ouve é o mesmo que sentir que ainda não me deixou pra trás. Não posso aceitar que algo que é meu, que em mim virou segunda pele, seja profanado pelos teus ouvidos e pela tua boca, mesmo que essa boca já tenha conhecido a primeira pele. Mas a segunda não, essa é só minha, ninguém conheceu e eu não tenho vontade de lhe mostrar. Não posso aceitar que me deixes ir embora, mas faça questão de ter um pedaço meu. Então dá cá minhas coisas, esquece as músicas que lhe mostrei, e deixa a pele crescer e aquecer o que você deixou.