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Rita Lee

Vamos fazer amor agora, ele me disse. Em plena segunda-feira, ao meio dia. Fiquei seca. Amor é uma palavra tão forte que suga o ar ao meu redor. Me seca. Me deixa confusa. Me põe a pensar sobre o que é fazer amor... É só compartilhar o corpo? É chegar juntos ao orgasmo? É dormir comigo porquê tava muito tarde pra ir embora?
Acho que prefiro o sexo. Sei lidar com o sexo, sei o que esperar dele. O amor, pra mim, ainda é rio. Lindo e traiçoeiro. Ora vai ficando cristalino, me encantando com a calmaria convidativa de suas aguas frias, espelhando meu corpo e rosto contra o sol. Ora me faz temer sem saber o que esperar de suas águas escuras e quentes.
Não quero fazer amor contigo. Amor não se faz embaixo dos lençóis. Chame de sexo. Amor é passar o dia assistindo filme e comendo amendoim, com preguiça de sair de casa. É acordar com o cheiro do cuscuz com banana e canela e café passado na hora. Fazer amor é por cima do lençol. E o sexo só é bom quando é uma extensão dele.
Fazer amor leva tempo, pede tempo. Sexo acaba em 20 minutos.
Por muito tempo minha vontade era só do sexo. Porque o amor não era pra mim. Amor pede doação de alma, de tempo, disposição. Sexo só pede o corpo. Agora entendo Rita Lee.

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Distúrbio de ritmo

Não quero que ouças minhas músicas, elas me pertencem. Saber que tu as ouve é o mesmo que sentir que ainda não me deixou pra trás. Não posso aceitar que algo que é meu, que em mim virou segunda pele, seja profanado pelos teus ouvidos e pela tua boca, mesmo que essa boca já tenha conhecido a primeira pele. Mas a segunda não, essa é só minha, ninguém conheceu e eu não tenho vontade de lhe mostrar. Não posso aceitar que me deixes ir embora, mas faça questão de ter um pedaço meu. Então dá cá minhas coisas, esquece as músicas que lhe mostrei, e deixa a pele crescer e aquecer o que você deixou.

Oxum é amor, Oxóssi é firmeza.

Os pássaros cantavam quando caminhei pelo entorno de Oxum. Sua melodia compôs a música que embalava meus passos. O vento, com sua leveza, coparticipou do soneto e misturou-se aos arranjos de vida que tocaram minha pele. Balançou levemente e persistentemente a estrutura óssea, pélvica, nervosa, capilar e emocional dentro de mim, tal qual o balanço das árvores verdes que crescem na beira do rio. O encontro de Oxóssi e Oxum me toca profundamente e desperta em mim a sensação de agradecimento pela vida, pelo ar que eu respiro, por ser quem eu sou. Meus olhos não se afastam do rio e nem do verde. Meus olhos contemplam a beleza dos pássaros que se banham e se relacionam nas águas deste rio. Eu vou seguindo e deixando o som da correnteza embalar minha respiração. Que eu seja a correnteza que passa e lava todo pensamento de desamor e toda forma de autossabotagem, porque Oxum é amor. Que eu seja como as árvores frondosas da mata, que balançam e permanecem de pé, enraizadas, porque Oxóssi é firme...

VIVA-SE