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Ainda se espera uma boa colheita

"Não quer saber de mim e eu vivendo da tua vida."

Sufoquei aqui. Senti o ar em meus pulmões sem conseguir sair. Sufoquei com o ar da voz de Mariene, com o som dos instrumentos que iniciam a música. Eu tava indo tão bem, eu tava achando que tava melhor. Mas escrever texto de superação já indicia, uma das minhas musicas preferida diz que o esforço pra lembrar é a vontade de esquecer. To chapada, bêbada e ainda são 13h30 min da sexta-feira. Eu ia vestir branco, pensar em você e lembrar de esquecer. Eu tava indo tão bem! Bebi pra ficar alegre, fumei pra comida ficar gostosa. Pensei em você e assim que a musica começou eu simplesmente era você. Eu era você. Você era eu. O meu corpo não me pertencia, eu não tava mais aqui porque eu era você. Eu senti, aqui dentro, como se crescesse em mim. Umbilicalmente eu senti você crescer dentro de mim. Vai ver foi o sonho que eu tive essa noite. Tinha uma filha, preta quanto eu, dos olhos azuis. Não saiu de mim, veio pra mim. Chegou trazida. De outro. Tinha seus olhos. Eu tava indo tão bem! Eu regredi, voltei praquela tecla do sexo pelo sexo. De não querer me doar, me entregar, to levantando o muro novamente e tapando os buracos que você fez questão de abrir, to jogando fora cada tentativa de me deixar aberta para a possibilidade de ter o coração despedaçado. O muro é tão seguro! Do lado de cá o coração ta realmente livre, trancado numa gaiolinha... Tal qual ave de cativeiro que insistem em dizer que é  mais feliz. Sexo não me deixa pensar em você, na ternura do seu toque. E eu, que amo sexo sem ternura! Gosto da mão que desce forte e encontra a minha bunda. De quem segura meus braços por trás e e põe de quatro. Eu gosto de você. Gosto da gente. Mas estou bêbada e é sexta feira e eu tenho vinte e quatro anos.  O retrato da minha vida é amar em segredo. Talvez eu retorne ao estado anormal e não mais veja futuro nessa vida tão direita. Não sei o que eu to dizendo.

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Distúrbio de ritmo

Não quero que ouças minhas músicas, elas me pertencem. Saber que tu as ouve é o mesmo que sentir que ainda não me deixou pra trás. Não posso aceitar que algo que é meu, que em mim virou segunda pele, seja profanado pelos teus ouvidos e pela tua boca, mesmo que essa boca já tenha conhecido a primeira pele. Mas a segunda não, essa é só minha, ninguém conheceu e eu não tenho vontade de lhe mostrar. Não posso aceitar que me deixes ir embora, mas faça questão de ter um pedaço meu. Então dá cá minhas coisas, esquece as músicas que lhe mostrei, e deixa a pele crescer e aquecer o que você deixou.

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