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Eu sou isso aqui

Parece que algumas vezes a ingratidão toma conta da gente. Estou jogada no chão da sala da casa nova, chorando e fungando porque estou com medo e raiva da cidade onde vou trabalhar pelo concurso. Ao mesmo tempo eu sinto raiva de mim por perceber que é nada menos que ingratidão. Estou frustrada e não estou sabendo lidar com a frustração. Uma vez você me perguntou porque eu tinha essa necessidade do sucesso. Na hora eu não sabia o que responder, eu nunca tinha me visto daquela forma. Eu tenho necessidade do sucesso porque eu me acho uma farsa. Eu não sinto segurança de ser quem acham que eu sou, quem eu digo que sou. Eu parei de aceitar convites pra oficinas e mesas. Eu desdenho quando alguém ressalta minha inteligência. No fundo eu sei que eu sou inteligente sim, mesmo sabendo que deveria me esforçar mais, pois não é com facilidade que as coisas entram nessa cabeça.
Eu queria tanto conversar contigo. Não é justo, eu sei. Mas no mesmo dia que me perguntou sobre o sucesso você me disse que eu já era muito mais do que o anseio dos meus pais, muito mais do que eu imaginei que seria, muito mais do que muitas pessoas imaginavam. Eu preciso parar de viver pelas expectativas dos outros. Foi uma meta que coloquei pra 2019: a de não ser pessoas diferentes de acordo com o grupo de convívio. Não posso fingir que não defendo minhas bandeiras para evitar conflitos dentro de casa. Não posso viver evitando conflitos. Eu passei meses evitando conflitos contigo e isso só me magoou. Magoou a nós dois.
Eu sou isso aqui. Essa pilha de insegurança, medo e orgulho. Que Ta doida pra aprender a cuidar de planta pra se isolar cada vez mais do mundo e ao mesmo tempo cheia de vontade de me colocar nele, me expor.
Sempre achei que ser professora era ter a chance de fazer mudanças reais nas vidas dos alunos. E se eu me frustrar e não tiver como mudar nada, ou não ser o modelo de mudança de coisa alguma?
Esse ano eu tenho de fato analisado as pessoas que estão ao meu lado. As que me parabenizam pelo concurso, que fazem mais festa do que eu pela aprovação… eu tenho tentado me afastar de algumas dessas pessoas. São comemorações falsas, são festas falsas. Será que elas se acham obrigadas a festejar comigo? Nem eu to me sentido obrigada a comemorar. Parece até que eu tenho vergonha por ter passado. Fiquei tão confusa e pensativa quando U* disse que eu era a realização da meritocracia da classe média. Aquilo me pareceu tão pejorativo, a forma como foi falado, a tensão que sinto nessa relação.
Agora, que já estou mais calma, que não penso mais em tentar entrar em contato contigo, percebo que não há com quem falar sobre o assunto. Não quero conversar mais com mainha. Quando comentei do medo e de não querer morar em Mascote ela disse que qualquer que fosse  a minha decisão ela iria me apoiar. Eu chorei tanto. Por perceber a ingratidão da situação toda e me sentir uma merdinha ingrata que não merece o que ganhou/conquistou. Durante o choro lembrei de você. Porque provavelmente você entenderia o medo, me forçaria a falar e eu não ia achar que estava descarregando minhas frustrações e medos em cima de alguém. Por que é por isso que eu não converso sobre meus problemas. Todos os meus ditos amigos já são tão cheios de coisas, como vou reclamar e chorar porque estou frustrada por conta da cidade do concurso e etc? É ser muito filha da puta e eu já escrevi dizendo que não posso mais com a filhadaputagem.

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