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A mulher negra que eu vi de perto

A mulher negra que eu vi de perto me disse pra não ter medo, que o caminho parece escuro mas escuro também é a cor da sua pele. A mulher preta que cantou pra mim, disse pra não ter medo do preto, que do preto nasceu toda vida. Tudo veio da preta e para a preta voltará porque o preto é calmaria, é sensibilidade, é descanso. É o início e o fim de um caminho, é a sensação de fechar os olhos e enxergar melhor, se encontrar, ouvir a si mesma dentro você. A mulher negra que eu vi de perto me pediu que eu tivesse calma, que escutasse as vozes pretas que me cercam e me contam histórias. Que de vez em quando me desse uma pausa e me colocasse como observadora da vida, pra ouvir melhor e me situar nessa história preta do mundo. Reescrever a história preta do mundo. A mulher preta que eu vi na minha frente me pediu, com sua voz forte e decidida, que eu me cuidasse antes de cuidar das minhas irmãs. Me pediu para não  esquecer que sou seu sonho mas que ela precisa descansar e seu descanso mora no meu sossego, mora no meu cuidado, no meu afeto comigo, na relação saudável que primeiro estabeleço comigo e depois com todas as pessoas que me cercam. Está na minha reverência a outras mulheres negras. Mas principalmente no meu cuidado. Cuidado com a minha afro- memória, meu ventre-mundo, minha voz-ação.  Cuidado com a sobrecarga, com a autoimagem de fortaleza e mãe de todos.
A mulher negra que eu vi de perto era eu, e eu saudarei a mim mesma antes de cuidar de você

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