Não me dê flores por que eu não as quero, eu mesma posso me
dar flores. O que eu não posso é deixar de ter medo de andar em determinadas
ruas porque eu não sei o que vai me encontrar ao virar a esquina. Eu não posso
usar minha saia predileta porque alguém saiu por ai espalhando que isso é uma
forma de convite para fazer sexo, mesmo que eu não queira e nem permita. Eu não
posso me dar o "luxo" de receber o mesmo salário que o meu colega de
trabalho e nem posso receber mais quando sou mais eficiente que ele. Eu não
posso me permitir ficar solteira e ser feliz porque alguém ai falou que uma
mulher só é feliz e realizada com filhos e um marido. Por isso eu cansei de flores. Me dê
"permissão". Ratifique os meus
direitos. Me veja como um igual, por que
é isso que eu sou e é isso que eu quero.
Você é uma poesia preste a ser parida. Prestes a ser engolida como a saliva de quem tem a boca seca, como a parada cardíaca de quem não cometeu excessos. Você é a personificação da licença poética, a calma de observar os pássaros que comem goiaba, o eco de uma mãe que soluça o nascimento do primeiro filho, a lágrima da adolescente que recebeu sua primeira carta de amor, o gemido de uma mulher quando goza. Você é o abraço de irmãos que não se vêem há anos, o colo de avó que acaricia a neta, o fim de tarde ouvindo o conselho dos nossos mais velhos. O primeiro bolo que não sola. Você é o sorriso da primeira composição de uma artista, o grito da menina de quatro anos que faz um gol, o suspense do homem que sabe ser inocente, a satisfação de quem aprendeu a nadar. Você é os primeiros passos do bebê, o sim do casamento, o olhar de cumplicidade entre melhores amigas. A risada da criança tomando banho de chuva. Você é o canudo do diploma da formatura, é a sensação do açúcar descendo pela lí...