Eu tinha me certificado de que não sentiria mais a sua falta e agora me sinto incerta sobre a saudade. Eu tinha tanta certeza de não lhe querer mais que fico me prendendo ao pensamento de que não vai durar. Suas palavras são tão bonitas mas meus ouvidos ainda não se abriram totalmente pro seu canto. Toda vez que eu penso em nós dois, floresce um riso que cresce e morre e cresce de novo acompanhando as nossas nuances. Você mudou, dá pra ver, da pra sentir. Eu não. Você me abraça e eu me sinto nós de novo. O problema é me sentir eu, só, sem o nós na distancia.
Você é uma poesia preste a ser parida. Prestes a ser engolida como a saliva de quem tem a boca seca, como a parada cardíaca de quem não cometeu excessos. Você é a personificação da licença poética, a calma de observar os pássaros que comem goiaba, o eco de uma mãe que soluça o nascimento do primeiro filho, a lágrima da adolescente que recebeu sua primeira carta de amor, o gemido de uma mulher quando goza. Você é o abraço de irmãos que não se vêem há anos, o colo de avó que acaricia a neta, o fim de tarde ouvindo o conselho dos nossos mais velhos. O primeiro bolo que não sola. Você é o sorriso da primeira composição de uma artista, o grito da menina de quatro anos que faz um gol, o suspense do homem que sabe ser inocente, a satisfação de quem aprendeu a nadar. Você é os primeiros passos do bebê, o sim do casamento, o olhar de cumplicidade entre melhores amigas. A risada da criança tomando banho de chuva. Você é o canudo do diploma da formatura, é a sensação do açúcar descendo pela lí...